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Bolsa de Valores de Tóquio inicia negociação de créditos de carbono

Bolsa de Valores de Tóquio inicia negociação de créditos de carbono

Na estreia do mercado, foi transacionado o equivalente a 3.689 toneladas de CO2 em cinco categorias de J-Credits. A estratégia japonesa inclui cobrança de imposto de carbono a partir de 2028

A Bolsa de Valores de Tóquio (Tokyo Stock Exchange – TSE) iniciou a negociação nacional de créditos de carbono nesta terça-feira (11/10). A iniciativa faz parte da estratégia de descarbonização do país até 2050 e de combate à mudança climática. Na estreia do mercado, foi transacionado o equivalente a 3.689 toneladas de CO2, em cinco categorias de créditos japoneses (J-Credits).

Mais de 200 membros registados já podem negociar J-Credits de redução ou remoção de gases de efeito de estufa (GEE) certificados pelo governo. O foco principal é estimular projetos de eficiência energética e instalações de energia renovável. O manejo florestal também está entre as atividades elegíveis para se qualificar à emissão dos créditos.

Foto: Cerimônia na Bolsa de Tóquio
Foto: Cerimônia na Bolsa de Tóquio
Foto: O ministro do Comércio, Yasutoshi Nishimura, no lançamento da nova plataforma para o comércio de créditos de carbono da Bolsa de Tóquio

O ministro do Comércio e Indústria do país, Yasutoshi Nishimura, participou na cerimônia de abertura da negociação na TSE. Segundo ele, o governo espera que as empresas do setor privado participem, para ajudar o país a alcançar a descarbonização e estimular o crescimento da economia. O objetivo do Japão é reduzir suas emissões em 46% em relação aos níveis de 2013 até 2030 e atingir o zero líquido até 2050.

As transações na TSE também visam a formação de preços de carbono que possam ativar os mercados de descarbonização, previu o ministro. A valorização das reduções de emissões através do mercado de créditos ajudará a promover o investimento privado na transformação verde, com mais transparência e previsibilidade, disse Nishimura.

Descarbonização em etapas que incluem imposto de carbono

A estratégia japonesa de precificação do carbono será implementada em etapas. Baseada em propostas do Ministério da Economia, Comércio e Indústria e aprovada pelo Conselho de Ministros este ano, consiste no comércio de emissões e na aplicação de uma taxa de carbono.

Como primeiro passo, a TSE lançou nesta quarta-feira o mercado de créditos de carbono para negociar os títulos conhecidos como J-Credits. Na próxima etapa, prevista para 2024, a versão japonesa de um sistema de comércio de emissões (ETS) iniciará a negociação de títulos GX, relacionados a um fórum para a “transformação verde”. Um imposto sobre o carbono, inicialmente reduzido, aumentará gradualmente e será introduzido entre 2028 e 2029.

Cerca de 680 empresas que em janeiro representavam mais de 40% das emissões do Japão serão reguladas. Elas receberão licenças de emissão de gases de efeito estufa, mas serão obrigadas a estabelecer metas de redução. As que superarem as suas metas poderão vender licenças de emissão, enquanto aquelas que não cumprirem as suas metas precisarão comprar licenças.

O Japão acredita que o programa, que combina o comércio de emissões e imposto sobre o carbono, ajudará a tornar o país mais verde, mantendo ao mesmo tempo a competitividade global das suas indústrias, incluindo grandes emissores como as siderúrgicas.

A estimativa é de que os setores público e privado precisarão investir mais de 150 biliões de ienes (US$ 1 bilião) em medidas de descarbonização nos próximos 10 anos. O governo contribuirá com 20 biliões de ienes do total, através da emissão de obrigações, sendo as receitas provenientes da taxa de carbono e das licenças de emissão utilizadas para financiar o resgate.