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Amundi penaliza diretores e CEOs de investidas que não consideram as mudanças climáticas na gestão dos negócios

Amundi penaliza diretores e CEOs de investidas que não consideram as mudanças climáticas na gestão dos negócios

A maior gestora de ativos da Europa votou contra a recondução de executivos e propostas de remuneração devido à falta de estratégias e métricas climáticas

Mariza Louven

As mudanças climáticas não são mais uma realidade distante, nem mesmo para quem tem um emprego cobiçado numa grande corporação. A Amundi, gestora de ativos líder na Europa, divulgou (13/7) que se opôs à recondução de mais de 500 diretores de empresas investidas dos setores de energia e serviços públicos, devido a preocupações com as estratégias climáticas adotadas por essas corporações. 

Para os CEOs de 89 companhias de petróleo e gás e de serviços públicos, a punição foi direto no bolso: a Amundi votou contra as propostas de remuneração desses profissionais por não incluírem critérios de desempenho relacionados ao clima entre os parâmetros de remuneração variável.

O anúncio feito pela Amundi segue a nova política de votação divulgada pela gestora de recursos no início deste ano, com critérios de responsabilização do Conselho de Administração e executivos. Na política, a Amundi deixa claro que vai considerar critérios climáticos na remuneração variável dos executivos de suas investidas, com exigência de métricas específicas nas empresas de setores expostos a riscos de mitigação climática – como petróleo e gás, serviços públicos, mineração, transporte, cimento, aço & alumínio, construção, industrial e infraestrutura.

A Amundi alega que as medidas fazem parte de seu compromisso de apoiar uma transição acelerada e justa para uma economia de baixo carbono por meio da política de votação e engajamento. 

Como maior gestora de ativos da Europa, a Amundi é acionista majoritária de diversas empresas, por meio de fundos e mandatos geridos em nome de seus clientes. “Acreditamos firmemente no diálogo ativo e construtivo com os emissores para influenciar positivamente sua estratégia geral e empurrá-los em uma ambiciosa jornada de transição ambiental”, declarou no comunicado.

Segundo a empresa, a administração (engajamento e votação) é uma maneira poderosa de influenciar a compreensão e a divulgação das questões ambientais e sociais. É também uma forma de contribuir para mudanças estratégicas que resultarão em resultados reais e na criação de valor sustentável a longo prazo.

Temos a convicção de que enfrentar as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, gerenciar o impacto social da transição energética é parte integrante de uma boa gestão de riscos. Também é importante para a criação de valor de longo prazo das carteiras de nossos clientes.

“Amundi acredita que todos os setores e atores econômicos devem tomar medidas imediatas para acelerar sua transição, contribuindo assim para limitar o aquecimento global. Como parte de seu plano ESG Ambition 2025, a Amundi está acelerando seu esforço de engajamento e está comprometida em se envolver com 1.000 empresas adicionais em sua estratégia climática: em 2022, nos envolvemos ativamente com mais 418 empresas, além das 464 empresas já sob noivado desde 2021”, disse Caroline Le Meaux, chefe de pesquisa ESG, engajamento e votação da Amundi.

O clima foi uma questão fundamental durante a temporada de votação de 2023. A Amundi apoiou 88% das propostas de acionistas relacionadas ao clima, porque continua a ver as resoluções dos acionistas como um mecanismo eficaz para pressionar por mudanças positivas e maior transparência no caminho de transição energética dos emissores.

Foco nos setores eu mais emitem carbono

A Amundi considera que incentivar a transição de empresas de energia, principalmente de petróleo, faz parte de seu dever fiduciário – responsabilidade de quem administra o dinheiro de terceiros. Segundo a empresa, ao contrário do carvão, para o qual existem substitutos, o petróleo continua sendo uma fonte de energia essencial para muitos setores. 

“Amundi está convencida de que a meta global de neutralidade de carbono requer a transformação de todas as empresas, incluindo as empresas de energia. Por esta razão, a Amundi continua a investir no setor de energia, e se envolve ativamente com as empresas para incentivá-las a implementar estratégias climáticas credíveis em linha com o cenário do Acordo de Paris. A Amundi também continuará seus esforços de engajamento por meio de um diálogo aprofundado e regular, bem como votando nas Assembleias Gerais Anuais”, declarou.