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Carta aberta de executivos aos participantes da COP28 pede aceleração da descarbonização

Carta aberta de executivos aos participantes da COP28 pede aceleração da descarbonização

Aliança de CEOs Líderes Climáticos defendem mais investimento em energias renováveis ​​e redes de energia, simplificação de processos de licenciamento e fixação de preço para o CO2

A proximidade da Conferência do Clima da ONU (COP28), que será realizada em Dubai, a partir do dia30 de novembro, já está movimentando empresas e executivos em torno das políticas e recursos necessários para a descarbonização da economia. Nesta terça-feira (24/10), o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) divulgou carta aberta assinada por mais de 100 executivos seniores da Aliança de CEOs Líderes Climáticos (Alliance of CEO Climate Leaders) pela aceleração das ações para reduzir as emissões de carbono em benefício da sociedade, da saúde pública e da economia global.

A Aliança de CEOs Líderes Climáticos) reúne a maior comunidade de CEOs do mundo comprometida com emissões líquidas zero de carbono. Segundo eles, são necessárias políticas transformadoras para acelerar os caminhos de descarbonização, em linha com o Acordo de Paris. Eles defendem uma redução aproximada de 50% nas emissões globais até 2030 e que isso não será alcançado se os desafios políticos e de regulamentação não forem abordados.

“A escala de descarbonização necessária até 2030 é intransponível, a menos que trabalhemos urgentemente em conjunto para dobrar a curva das emissões”, afirmou Børge Brende, presidente do Fórum Económico Mundial. “O caminho para estas reduções de emissões será pavimentado com uma combinação complexa de políticas, tecnologias e infraestruturas adequadas – razão pela qual a colaboração público-privada nunca foi tão importante. Esta carta aberta envia uma mensagem poderosa aos líderes mundiais na COP28 para apresentarem políticas ousadas e transformadoras que ajudarão o setor privado a fazer a sua parte para alcançar as reduções de emissões de 50% que necessitamos até 2030.”

A Aliança compreende mais de 125 CEOs em 25 países e 12 indústrias. Em termos de emissões, as empresas da Aliança equivalem ao segundo maior país do mundo, com uma pegada de emissões combinada de 5,2 gigatoneladas, representando 14% das emissões globais – igual às emissões anuais dos EUA.

Entre 2019-2021, as empresas representadas pela Aliança reduziram suas emissões em 10% a um nível absoluto – acima das metas absolutas de redução de emissões da SBTi. Durante o mesmo período, a intensidade das emissões diminuiu -18%. Os membros da Aliança estabeleceram metas individuais de redução de emissões no valor estimado de 1,0 gigatoneladas deCO2e até 2030. Isto é aproximadamente equivalente ao tamanho das emissões anuais do Japão.

O sucesso na obtenção destas reduções de emissões, no entanto, depende do apoio dos governos para superar barreiras significativas que dificultam a ação de descarbonização, como processos administrativos morosos que atrasam o desenvolvimento de projetos de energias renováveis ​​e problemas de infraestruturas como as redes eléctricas. Há ainda restrições tecnológicas que atrasam esforços para aumentar a capacidade de produção para soluções de descarbonização em fase inicial.

A Alliance of CEO Climate Leaders apela aos líderes mundiais para aumentarem o investimento em energias renováveis ​​e redes de energia, bem como a simplificação dos processos de licenciamento e regulamentação.  De acordo com a carta, o investimento global recorde em energias renováveis, atingiu US$ 0,5 trilhão em 2022, mas ainda representa menos de um terço da necessidade anual até 2030.

Os CEOs defendem a remoção de carbono baseada na natureza e na tecnologia para turbinar a descarbonização. Pedem o estabelecimento de metas de conservação e restauração dos sumidouros de carbono existentes e incentivo ao investimento nos mercados de CO2 através de um ambiente regulatório favorável e de mecanismos de fixação de preços de carbono. 

A Aliança reconhece a importância de reforçar e simplificar os padrões de divulgação e medicação de ações climáticas. Apela às entidades como o Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade (ISSB), Comissão Europeia, Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e outros reguladores, para que continuem harmonizando os requisitos de divulgação para garantir interoperabilidade e reciprocidade.

Além disso, a carta aberta apela aos colegas líderes empresariais para que
“Devemos acelerar a transição para emissões líquidas zero e não temos tempo a perder”, afirma Ester Baiget, CEO da Novozymes e copresidente da Alliance of CEO Climate Leaders. “À medida que nos aproximamos da COP28, é fundamental que nos conectemos com os governos para mostrar que existe um caminho para o carbono líquido zero e que estamos totalmente empenhados em chegar lá.”